Produtores de
derivados de cacau
buscam
competitividade no mercado
Fórum de Discussão dará apoio para organizar o setor
produtivo em Ilhéus
Dar condições de visibilidade,
concorrência e acesso a mercado para produtos derivados de cacau em projetos
desenvolvidos entre produtores do sul da Bahia é o objetivo do Sebrae ao
participar de um dos grupos de trabalho do Fórum de Discussão das Potencialidades
do Município de Ilhéus. A finalidade do fórum é criar os planos municipais de
Assistência Técnica Rural e do Desenvolvimento Agropesqueiro, além da
composição do Conselho Municipal de Agricultura e Pesca. Somente no grupo de
derivados de cacau, a ação vai beneficiar, inicialmente, a cerca de 50
produtores já legalizados e que ainda necessitam da formalização. Uma nova
reunião do fórum foi realizada na manhã de segunda-feira, 1º de abril, para
expor os primeiros resultados do trabalho, com a participação de parceiros do projeto,
técnicos e produtores.
Oséias e Ricardo Gomes da Costa, pai e
filho, são produtores de cacau. Em uma das suas propriedades, a Fazenda
Camacan, município de Buerarema, eles produzem 1.5 mil arrobas de cacau gourmet
por ano. É uma espécie de amêndoa especial utilizada no fabrico de chocolates
finos tipo exportação. Parte da produção de amêndoas, eles vendem para o
mercado externo. Mas uma quantidade é usada no experimento de chocolates finos.
Agora, a dupla se prepara para competir no mercado.
O primeiro passo foi criar uma pessoa
jurídica, abrindo uma empresa. Agora, na condição de Micro Empreendedores, eles
contam com o apoio do Sebrae, que vai traçar um plano estratégico de negócio e
acompanhar todas as fases do projeto. “O produtor rural conhece de produção.
Mas na hora de estruturar e verticalizar precisa ter planejamento, objetivos,
missão. Por isso o Sebrae é um importante parceiro”, assegura o agrônomo
Ricardo Gomes da Costa.
“Este grupo de produtores precisa se
organizar mais, perder o medo da concorrência e adequar-se aos padrões exigidos
pelo mercado”, explica o consultor do Sebrae, Eduardo Andrade, gestor do
projeto Indústria Setorial Ilhéus - Derivados de Cacau e participante do fórum.
Ele explica que enquanto há poucos produtores em fase adiantada de adequação ao
mercado, há muitos outros que sequer começaram a pensar nisso. “É preciso
separá-los, atender às suas demandas, mas enxergando o crescimento da produção
de derivados de chocolate de uma forma coletiva, como um processo inovador de
toda a região cacaueira da Bahia”, revela. Pelos cálculos do gestor, de todas
as iniciativas de adequação previstas, mais de 90 por cento podem ser subsidiados
pelo próprio Sebrae.
Dentre as ações planejadas estão criação
e registro de marca, embalagem, divulgação e material de apresentação, código
de barras, registro no Instituto Nacional de Patentes Industriais (INPI),
Ministério da Agricultura e Vigilância Sanitária do município. Também está
inclusa a elaboração de um Plano de Negócio e aprimoramento tecnológico com
incentivo a boas práticas de fabricação, gestão de resíduos líquidos e sólidos,
Programa de Alimento Seguro, eficiência energética e segurança no trabalho.
“Somente depois de adequadas a esta exigência de mercado é que as marcas
poderão competir, inclusive atendendo às necessidades de compras públicas”,
explica Andrade.
O secretário municipal de Agricultura e
Pesca de Ilhéus, Sebastião Vivas, garante que este e os demais grupos de
trabalho que integram o fórum têm a missão de unificar o trabalho dos diversos
órgãos ligados à agricultura e à pesca do município, com vistas à formatação de
um plano conjunto de desenvolvimento, capaz de evitar a sobreposição de ações
e, com isso, maximizar os futuros resultados. Estas reuniões que a Secretaria
de Agricultura e Pesca (Seap) da Prefeitura de Ilhéus vem coordenando desde
janeiro, contam com a participação de diversas entidades e instituições, a
exemplo do Sebrae, Comissão Executiva da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Empresa
Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e Agência de Desenvolvimento
Agropecuário da Bahia (ADAB). Também participam membros da Bahia Pesca,
Cooperativa de Desenvolvimento Sustentável da Agricultura (Coofasulba),
Sindicatos Rural de Ilhéus e dos Trabalhadores Rurais de Ilhéus, além dos
Institutos Cabruca e Nossa Ilhéus e do Instituto Brasileiro de Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Vivas afirma que está bastante otimista
com relação a esse trabalho conjunto, que visa defender a cultura do cacau e
seus derivados, fortalecendo as políticas públicas centradas no agronegócio e
na atividade pesqueira. “Aos poucos, vamos obtendo sinalizações positivas dos
órgãos que compõem as diversas esferas de poder, a exemplo dos governos
estadual e federal, com o objetivo de organizarmos o processo produtivo da
pesca e da agroindústria em Ilhéus”.
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