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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Produtores de derivados de cacau buscam competitividade no mercado


Produtores de derivados de cacau
buscam competitividade no mercado
Fórum de Discussão dará apoio para organizar o setor produtivo em Ilhéus


Dar condições de visibilidade, concorrência e acesso a mercado para produtos derivados de cacau em projetos desenvolvidos entre produtores do sul da Bahia é o objetivo do Sebrae ao participar de um dos grupos de trabalho do Fórum de Discussão das Potencialidades do Município de Ilhéus. A finalidade do fórum é criar os planos municipais de Assistência Técnica Rural e do Desenvolvimento Agropesqueiro, além da composição do Conselho Municipal de Agricultura e Pesca. Somente no grupo de derivados de cacau, a ação vai beneficiar, inicialmente, a cerca de 50 produtores já legalizados e que ainda necessitam da formalização. Uma nova reunião do fórum foi realizada na manhã de segunda-feira, 1º de abril, para expor os primeiros resultados do trabalho, com a participação de parceiros do projeto, técnicos e produtores.
Oséias e Ricardo Gomes da Costa, pai e filho, são produtores de cacau. Em uma das suas propriedades, a Fazenda Camacan, município de Buerarema, eles produzem 1.5 mil arrobas de cacau gourmet por ano. É uma espécie de amêndoa especial utilizada no fabrico de chocolates finos tipo exportação. Parte da produção de amêndoas, eles vendem para o mercado externo. Mas uma quantidade é usada no experimento de chocolates finos. Agora, a dupla se prepara para competir no mercado.
O primeiro passo foi criar uma pessoa jurídica, abrindo uma empresa. Agora, na condição de Micro Empreendedores, eles contam com o apoio do Sebrae, que vai traçar um plano estratégico de negócio e acompanhar todas as fases do projeto. “O produtor rural conhece de produção. Mas na hora de estruturar e verticalizar precisa ter planejamento, objetivos, missão. Por isso o Sebrae é um importante parceiro”, assegura o agrônomo Ricardo Gomes da Costa.
“Este grupo de produtores precisa se organizar mais, perder o medo da concorrência e adequar-se aos padrões exigidos pelo mercado”, explica o consultor do Sebrae, Eduardo Andrade, gestor do projeto Indústria Setorial Ilhéus - Derivados de Cacau e participante do fórum. Ele explica que enquanto há poucos produtores em fase adiantada de adequação ao mercado, há muitos outros que sequer começaram a pensar nisso. “É preciso separá-los, atender às suas demandas, mas enxergando o crescimento da produção de derivados de chocolate de uma forma coletiva, como um processo inovador de toda a região cacaueira da Bahia”, revela. Pelos cálculos do gestor, de todas as iniciativas de adequação previstas, mais de 90 por cento podem ser subsidiados pelo próprio Sebrae.
Dentre as ações planejadas estão criação e registro de marca, embalagem, divulgação e material de apresentação, código de barras, registro no Instituto Nacional de Patentes Industriais (INPI), Ministério da Agricultura e Vigilância Sanitária do município. Também está inclusa a elaboração de um Plano de Negócio e aprimoramento tecnológico com incentivo a boas práticas de fabricação, gestão de resíduos líquidos e sólidos, Programa de Alimento Seguro, eficiência energética e segurança no trabalho. “Somente depois de adequadas a esta exigência de mercado é que as marcas poderão competir, inclusive atendendo às necessidades de compras públicas”, explica Andrade.
O secretário municipal de Agricultura e Pesca de Ilhéus, Sebastião Vivas, garante que este e os demais grupos de trabalho que integram o fórum têm a missão de unificar o trabalho dos diversos órgãos ligados à agricultura e à pesca do município, com vistas à formatação de um plano conjunto de desenvolvimento, capaz de evitar a sobreposição de ações e, com isso, maximizar os futuros resultados. Estas reuniões que a Secretaria de Agricultura e Pesca (Seap) da Prefeitura de Ilhéus vem coordenando desde janeiro, contam com a participação de diversas entidades e instituições, a exemplo do Sebrae, Comissão Executiva da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e Agência de Desenvolvimento Agropecuário da Bahia (ADAB). Também participam membros da Bahia Pesca, Cooperativa de Desenvolvimento Sustentável da Agricultura (Coofasulba), Sindicatos Rural de Ilhéus e dos Trabalhadores Rurais de Ilhéus, além dos Institutos Cabruca e Nossa Ilhéus e do Instituto Brasileiro de Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Vivas afirma que está bastante otimista com relação a esse trabalho conjunto, que visa defender a cultura do cacau e seus derivados, fortalecendo as políticas públicas centradas no agronegócio e na atividade pesqueira. “Aos poucos, vamos obtendo sinalizações positivas dos órgãos que compõem as diversas esferas de poder, a exemplo dos governos estadual e federal, com o objetivo de organizarmos o processo produtivo da pesca e da agroindústria em Ilhéus”.

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