Chega ao
Congresso projeto que muda indexador de dívidas de estados e municípios
Chegou nesta quinta-feira (3) ao
Congresso Nacional o projeto do Executivo que altera o indexador das dívidas de
estados e municípios com a União. A mudança é uma antiga reivindicação de
governadores e prefeitos, com apoio de parlamentares. O Projeto de Lei
Complementar (PLP) 238/2013 começará a tramitar na Câmara dos Deputados e, em
seguida, virá para o Senado, onde já estão em análise algumas propostas sobre o
mesmo tema.
O texto, de acordo com o governo,
corrige distorções causadas por mudanças na economia. Atualmente, os critérios
adotados para a correção podem elevar a dívida em mais de 20% ao ano. Ao tomar
posse, no último dia 1°, o novo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT),
chegou a afirmar que a dívida do município é "insustentável" e cobrou
do ministro da Fazenda, Guido Mantega, uma repactuação.
Hoje, o saldo devedor dos estados e
municípios é atualizado pelo Índice Geral de Preços (IGP-DI) mais juros que vão
de 6% a 9% ao ano. Com a mudança, os juros deverão ser de 4% ao ano e a
atualização monetária será calculada com base no Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Ampliado (IPCA), mais estável que o IGP-DI. Caso o somatório dos
encargos ultrapasse a variação da taxa básica de juros (Selic) do mês, esta
será usada para a atualização.
No encaminhamento do projeto à
Presidência da República, Guido Mantega reconhece as dificuldades enfrentadas
por estados e municípios. De acordo com números apresentados pelo ministro, em
2011, a taxa Selic foi de 9,78%, enquanto o somatório da atualização monetária
mais os juros dos contratos da dívida variou entre 17,98% e 21,32%.
Projetos de senadores
A adoção do IPCA como indexador da
dívida já é tema de alguns projetos que tramitam no Senado, entre eles, o PLS
334/2011, do senador Eduardo Braga (PMDB-AM), que está sendo examinado em
conjunto com outras propostas. Há,
ainda, o PLS 86/2012, do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), que tramita na
Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
O projeto de Dornelles foi apresentado
em abril, após proposta do governo que adotava apenas a Selic como indexador, e
recebeu o apoio dos secretários de fazenda dos estados. À época, o senador pelo
Rio argumentou que a taxa de juros é um instrumento de política monetária, não
adequado à indexação da dívida.
- Você nunca pode permitir que a dívida
do devedor seja corrigida por um índice que e estabelecido pelo credor [o
governo] – afirmou.
Também em abril, o relator do projeto de
Dornelles na CAE e autor de outro projeto sobre o tema (PLS 618/2011), senador
Lindbergh Farias (PT-RJ), defendeu a diminuição do comprometimento da receita
corrente líquida (RCL) com o pagamento das dívidas em pelo menos dois pontos
percentuais, o que, segundo ele, abriria caminho para que os estados fizessem
novos investimentos.
- É fundamental mexer no indexador, mas
nós temos que abrir espaço para os governos estaduais aumentarem seus
investimentos, diminuindo esse percentual de comprometimento da receita
corrente líquida.
FONTE: AGÊNCIA SENADO
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