Sabatina para
CNMP gera debate sobre limites ao poder investigatório de promotores
Debate sobre a imposição de limites ao
poder de investigação criminal do Ministério Público - foco de controvertida
proposta de emenda à Constituição (PEC 37/2011) em tramitação na Câmara dos
Deputados - sobressaiu em sabatina dos procuradores de justiça Antônio Pereira
Duarte e Alessandro Tramujas Assad, nesta quarta-feira (8), na Comissão de
Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Ambos tiveram a indicação para o
Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aprovada pela comissão. Os nomes
agora deverão ser analisados, em regime de urgência, no Plenário do Senado.
A questão surgiu a partir dos senadores
Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP), Roberto Requião (PMDB-PR), Aloysio Nunes
Ferreira (PSDB-SP), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Sérgio Petecão (PSD-AC) e
Vital do Rêgo (PMDB-PB) - este, presidente da CCJ - , que condenaram excessos
na divulgação pela mídia de casos sob investigação do Ministério Público. A
principal queixa era de que este comportamento levava à condenação antecipada
do investigado perante a opinião pública.
Apesar de questionarem a retirada da
competência investigatória da instituição pela PEC 37/2011, estes parlamentares
cobraram não só normas disciplinares para conter e punir eventuais exageros na
atuação do MP, mas também a definição de prazos para os procedimentos
investigatórios. Críticas também foram feitas ao suposto uso de escutas
telefônicas por promotores de justiça sem prévia autorização judicial e aos
abusos na aplicação de Termos de Ajuste de Conduta (TACs), cobranças
encaminhadas pelo MP a gestores públicos sob suspeita da prática de irregularidades.
Inocência
Ao comentar as considerações dos
parlamentares, Antônio Carlos Rodrigues sustentou que o dever do promotor de
justiça de informar a sociedade sobre os processos em andamento não deve
comprometer a presunção de inocência do investigado. Após observar que o MP não
deve ter seu campo de atuação limitado, assegurou que tanto o estatuto da
carreira quanto resoluções editadas pelo CNMP já estabelecem regras, prazos e
sanções disciplinares para o promotor que não se conduzir com a responsabilidade
necessária. Vinculado à Justiça Militar, o indicado também defendeu a
modernização do MP, e não extinção.
Por sua vez, o procurador de justiça do
Ministério Público Estadual por Roraima Alessandro Tramujas Assad disse
acreditar que as instituições alcançadas pela PEC 37/2011 - polícias e MP -
podem chegar a um consenso sobre a condução da investigação criminal. Quanto à
escolha dos casos a investigar, afirmou que o critério adotado aponta para as
situações de lesão ao patrimônio público e os excessos cometidos por organismos
policiais, seguindo parâmetro já definido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Tramujas garantiu ainda, em resposta a indagação da senadora Ana Rita (PT-ES),
que o Ministério Público tem sido atuante na execução da Lei Maria da Penha.
Grupo de trabalho
O desenrolar da discussão sobre a
contenção de excessos na conduta do MP levou o senador Pedro Simon (PMDB-RS) a
propor a intermediação de um entendimento - pela CCJ - entre delegados e
promotores de justiça em torno da PEC 37/2011. Já Cássio Cunha Lima deverá
apresentar requerimento de audiência pública para analisar a proposta junto com
representantes da Procuradoria Geral da República, do CNMP e do Conselho
Nacional de Procuradores Gerais de Justiça (CNPG).
A percepção de falhas no andamento da
tramitação da PEC 37/2011 motivou Vital do Rêgo a articular, junto com o
presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, e o ministro da Justiça, José
Eduardo Cardozo, um grupo de trabalho para analisar a matéria. A iniciativa
envolve ainda representantes das polícias e do Ministério Público e deverá
produzir, em 30 dias, uma solução de consenso para viabilizar o poder
investigatório do MP.
- Uma matéria sensível e delicada como
essa precisava de uma ação preventiva. Quando ela chegar ao Senado, já terá um
estudo prévio desse grupo de trabalho - assinalou Vital.
Os senadores por Roraima Romero Jucá
(PMDB), Mozarildo Cavalvanti (PTB) e Ângela Portela (PT) aproveitaram para
ressaltar a competência e probidade dos indicados para o CNMP.
FONTE: AGÊNCIA SENADO
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