Estreia nesta
quarta (27), às 16h, na Calçada, projeto artístico ‘Trilhos & Estações’
Vencedor do
Edital ‘Arte em Toda Parte Ano III’, o projeto vai até 5 de agosto, reunindo
cerca de 40 profissionais das áreas de dança, vídeo, fotografia, produção e
comunicação, com 13 performances e exibição de videodança
O projeto
‘TRILHOS & ESTAÇÕES - uma viagem dançada da Calçada a Paripe’
(http://trilhoseestacoes.wix.com/videodanca) estreia nesta quarta-feira (27),
às 16h, na estação ferroviária da Calçada (Largo da Calçada, s/n°), em
Salvador. No roteiro, exibição de videodança no hall da estação (construída em
1860), seguido de performances de quatro dançarinos no mesmo local e depois nos
vagões de trem até a estação de Paripe. A programação prossegue dias 28 e 29
(julho), 2 e 4 (agosto), sempre às 14h e 16h. Já nos dias 3 e 5 (agosto), as
sessões serão às 10h e 12h.
Ao todo, são 13
apresentações. O ingresso custa apenas R$ 0,50, o tíquete ida/volta,
Calçada/Paripe. O projeto tem criação, direção artística e coreografias de
Lilian Graça, direção geral e produção de Ana Luiza Campos, da Olho de Peixe
Produções, e é vencedor do Edital Arte em Toda Parte, Ano III. No dia (27) da
estreia, às 16h, acontecem performances na estação e trem, ida e volta, ou
seja, Calçada/Paripe/Calçada, com coquetel. Nos outros dias, as performances só
acontecem na ida, Calçada/Paripe.
CONCEPÇÃO –
Dançarina, videasta, doutoranda em Artes Cênicas pela Universidade Federal da
Bahia (UFBA), Lilian Graça, situa a proposta do projeto como incursão da dança
contemporânea e da videodança em um espaço público alternativo e o encontro
dessas artes com a realidade do espaço. Segundo ela, “o projeto traz diálogo e
olhar poético entre dança e ferrovias, pesquisando movimentos do corpo e
construindo paralelo entre memória e realidade”.
Na videodança
foram utilizadas fotos antigas superpostas, em contraste às imagens atuais,
além dos dançarinos interagindo em pontos da ferrovia. A pesquisa coreográfica
foi motivada a partir do movimento do corpo do dançarino em relação às
estações, malha ferroviária, trem e movimentos dos passageiros. Arquitetura,
andaimes, vigas e estruturas. Olarias, tipos de madeiras e tijolos motivaram
associações com as estruturas anatômicas do corpo. “Além do sentido material,
existiu o simbólico do trem enquanto amalgama das relações (Foucault), como
passagem e conexão”, elabora a criadora.
PROCESSO
COREOGRÁFICO - O processo constou de pesquisas, leituras e experimentos em
salas de ensaio, trilhos e estações de trem. “A criação dos dançarinos foi
fundamental, já que utilizamos improvisações na criação”, diz Lilian.
“Exploramos temáticas como trilhos, estações, viagem, movimentos do trem e
passageiros, atravessamentos, esperas, abandonos e memória das ferrovias
atravessando o corpo da dança”, descreve a coreógrafa.
Segundo ela, a
videodança a ser exibida na estação detém esses temas costurados enquanto
fragmento, de forma poética e não linear. A maioria dos movimentos na
videodança foi a partir de improvisações e gravados em diferentes planos.
“Experimentamos criar e gravar cenas com estruturas abertas, a partir de
movimentos e caminhos, mas sem marcação fechada, possibilitando surgimento de
novos movimentos na filmagem”, esclarece Lilian.




BERLIM/ALEMANHA
– Atuando como dançarina e coreógrafa na cena da dança nas décadas de 1980/90
em Salvador e São Paulo, Lilian residiu por 18 anos em Berlim, onde fez
mestrado e projetos (Flucht, Geh Hirn, Corta a Cana). Lá, dirigiu seu estúdio
de Pilates por 10 anos. De volta a Salvador, em 2014, entra no doutorado de
Artes Cênicas/UFBA e, agora apresenta seu primeiro trabalho de dança para o
público baiano depois de quase duas décadas na Europa. Projeto
interdisciplinar, ‘Trilhos & Estações’ começou em abril e vai até 5 de
agosto (2016). São cerca de 40 profissionais das áreas de dança, vídeo, música,
figurino, fotografia, produção, design, computação gráfica e comunicação.
O trajeto atual
Calçada/Paripe funciona só para passageiros, com extensão de 13,2 quilômetros.
O restante é para cargas. Cerca de 10 mil pessoas trafegam diariamente. Formado
por 22 bairros esse percurso geográfico possui 10% da população de Salvador e é
conhecido pela rica cultura, pesca e águas calmas da Baía.